UM PORTUGUES EM VANCOUVER

Chamo me Tiago Ribeiro, e desde a 9 anos que imigrei para o Canada, mais precisamente, para uma das mais belas cidades do mundo de seu nome VANCOUVER.Aqui irei mostrar e reflectir, sobre esta bela cidade, Cultura e Culturas, a experiencia da imigracao, reflexoes pessoais e sobre Portugal e Canada, entre outros temas e questoes desta VIDA de Imigrante e do MUNDO que me rodeia.. ....VIVE SE ESCREVENDO E ESCREVE SE PARA VIVER...

Tuesday, December 10, 2013

Natal...sem o Messias

         Nao muitas decadas, umas duas, atras lembro me de ir todos os Desembros antes do dia de Natal com a minha mae buscar musgo ao campo, chovia e estava um frio horrivel naquela altura em Portugal. Com o musgo faziamos um presepio com os animais e magos, e claro a arvore de natal nao podia faltar, outra actividade familiar. Nesses tempos Natal era sem duvida tempo de familia, com almocos e jantares de familia, onde se sentia e ao recordar ainda sinto com grande saudade, como era partilhar este tempo do ano com quem damos valor e tao importante nas nossas vidas.
        Nessa altura o que mais fica desses momentos sao as emocoes, claro que o momento da abrir as prendas no tempo de crianca e sempre inesquecivel e quase perto so extase de tanta alegira. Lembro me ate que por alguns anos era passado a frente da lareira, raridade que hoje em dia mal se conhece, da minha avo onde se comia e conversava e chegava a meia noite e tudo se tornava mais feliz, o abrir dos presentes... que mais que uma actividade egoista, era feita colectivamente. 

        Natal significava familia, como uma extencao da familia da pessoa que se celebrava o nascimento nesse dia, o pai natal era apenas um mensageiro, por assim dizer, desse mesmo espirito, como que as prendas fossem uma forma de unir essa mesma familia atravez da entraga e dadiva, nao so de prendas, mas de atencao, comida e claro afecto entre membros da familia.
      
        Obviamente as coisas mudam, o mundo tranforma se, avos e tios falecem, tecnologias ganham importancia, dilheiro ganha centralidade e poder para uma cultura, a ocidental, defenindo toda uma sociedade e mentalidade a varios niveis. E de evento em evento este passado que acredito nao so eu mas muitos das minha geracao se devem lembrar, vai mudando, tranformando. Nao digo que ainda se perdeu, porque ele ainda esta nas nossas memorias e talvez so quando estas se perderem ai sim, este passado, algo turvo, algo eterio, se tenha realmente perdido.
         Mas algo se perdeu, sem duvida, o espirito de familia mudou no processo e nos com ele e se olharmos para o que se define como Natal hoje em dia achamos algo diferente. Hoje em dia Natal e o Pai Natal, ele esta em todo o lado onde ha coisas para vender ( ou dar a alguem, conforme a perspectiva) la esta ele todo sorridente, barbudo, aquela figura de pai bondoso, que gratifica todos que merecem...e claro, desde que haja, e que tenhamos dinheiro para gastar, todos merecem alguma coisa, e se estiver em saldos, tanto melhor.
         No processo do correr dos anos o presepio quase desapareceu, vivendo no Canada, no Natal nao ha presepios, so prendas e arvores de Natal, nesse icone totemico, onde os confortos de uma conta bancaria mais vasia, se vao refugiar. Claro que na Europa ainda ha restias de Natais passados, e do seu espirito, mas mais e mais ele se tem vindo a tornar, cada vez mais um Natal com o Pai Natal, e logo por extencao, o Consumo como motor impolsionador.
       
            Chamemos lhe o Natal Anglofonico, onde o fisico se supera ao emocional e onde o verdadeiro afecto so pode ser forma fisica para ser "real".  Logo levanta se a perguntas, porque mudamos nos? sera que nos fizeram mudar desta forma? a sociedade nos fez assim, mais materialistas, ou nos e que escolhemos esses caminhos? Parece me ter sido um camminho de mudanca a does onde ambos sao responsaveis, nos e a sociedade a que pertencemos.
        Nao me defino como um concervador, mas nao nego que ha valor nas experiencias do passado e nas suas memorias, neste caso no Natal, e nao nego que com o evoluir do capitalismo claro que nunca se poderia fazer negocio com as emocoes, preferindo se ligar o evento natalicio ao acto de dar prendas so e apenas!!. Com isto, coisas como a familia, as ligacoes emocionais entre pessoas, a importancia psicologica de saber aonde pertencemos, foi se perdendo...
      
       Nos Natais o nascimento do messias tornou se irrelevante, como e que alguem pode fazer lucro disso?... e assim uma festa com contornos religiosos ganhou caris secular e o gordo, velho, barbudo Pai Natal e a respectiva arvore, tornaram se a nossa faceta do mundo actual e por extencao, da mentalidade de consumo desenfriado da actualidade!!
        Para muitos nascidos nestes tempos, o acto de receber prendas tera para eles a mesma importancia que os natais passados tiveram para mim, onde hoje uma prenda que passado anos sera lixo nao deixa de ter o mesmo impacto emocional, que eu, e os daminha geracao, tiveram com a familia decadas atras!
            Quem nao conhece o diferente, mesmo que esta resida no passado, ficara feliz com o que tem e a este dara importancia, mas juro que me faz pensar a forma como o Natal se foi tranformando...o que se foi perdendo!! Porque quando se define um momento de familia, como e o Natal, atravez de objectos, coisas, sugeitas aos efeitos do Tempo, sejam eles dados por um Pai Natal ou nao.            Esquecemo nos tanto e Sempre, como sociedade, que para sobreviver neste mundo e nele achar Valor, mais que coisas precisamos de um Coracao...e a melhor prenda, que todos os Dezembros nos deviam lembrar e o consumo nos constantemente faz esquecer, e como usa-lo!! 

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